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Esclarecimentos sobre alguns pontos da fé Católica

1-    Por que os católicos veneram a Virgem Maria?
R: Porque Deus a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). Adoramos somente a Deus. A Maria dedicamos especial amor, a imitação, o respeito e a confiança que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. O próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19,27).

2-    Por que dizemos que Maria é a Mãe de Deus?
R: Os Evangelhos a denominam como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1: 19,25). Desde antes do nascimento de seu Filho, ela é chamada “Mãe do meu Senhor” (Lc 1,44). E o anjo anunciou a Maria que o filho que nasceria dela seria chamado “santo, Filho de Deus” (Lc 1,31-35). Maria não gerou Deus. Mas gerou e deu à luz Jesus, que é realmente o filho de Deus. Por isso ela pode ser chamada “Mãe de Deus”.

3-    Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?

R: Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (cf. Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 22,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1Cor 9,5). O termo irmão supõe um contexto lingüístico pobre de palavras: a palavra aramaica “irmão” podia indicar não somente os filhos dos mesmos pais, mas também os primos ou parentes mais distantes. Tiago e José, tratam-se de parentes próximos de Jesus (cf. Gn 13,8; 14,16; 29,15).

4-    Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?

R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com o seu “sim” (Cf. Lc 1,38). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At. 1,14).

5-    Por que chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora?
R: Trata-se de um título de devoção popular. A mãe de Jesus, com certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico do termo Senhor.

6-    O que significa ser Santo?
R: Deus é o único santo (cf. Lv 19,2). Pelo batismo, recebemos a graça de Deus e a Santíssima Trindade vem habitar em nós. Deus é amor. Ser santo é, portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Santos são todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.

7-    O que é canonização dos santos?

R: Canonização é o reconhecimento definitivo pelo qual a Igreja declara que alguém participa da glória celeste, prescrevendo que lhe seja prestada veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza, mas a Igreja canoniza porque é santa. Todos nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus e de sermos santos, como ele é Santo (cf. Mt 5,48).

8-    O que é o culto (veneração) dos santos?
R: Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo, nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Os santos gozam da visão de Deus face a face. A intercessão dos justos, sobretudo dos que alcançaram a plenitude, sendo agradável a Deus (cf. Gn 18,22-32). Trata-se de uma comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.

9-    Os Santos intercedem por nós junto de Deus?
R: Todos nós que vivemos na graça de Deus em comunhão com Deus. Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós. Um santo canonizados gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por nossas intenções (cf. Mt 6,33).

10-    Como entender a doutrina das indulgências?

R: A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC 1471). “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa. Obras de misericórdia, caridade, orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência parcial ou total.

11-    Os católicos adoram imagens?

R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus invisível se tornou visível. O que Deus no Antigo Testamento proíbe, é fazer imagens para serem adoradas como deuses, em substituição ao Deus único (cf. Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (cf. Ex 25, 18-20).

12-    Por que a Igreja batiza as crianças?

R: A Bíblia não se refere explicitamente ao batismo de crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33). A expressão “casa” designava o chefe de família com toda a sua família, inclusive as crianças, que certamente, não faltavam, naqueles tempos.

13-    Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus?” (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?
R: Jesus confiou o ministério da remissão dos pecados aos seus discípulos. Antes da paixão, prometeu a Pedro (cf. Mt 16,19) e aos outros apóstolos (cf. Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (cf. Jo 20, 21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em seu nome.

14-    Para o católico, o casamento é Sacramento indissolúvel. Como entender isso?

R: Em alguns trechos o Novo Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,11s; Lc 16,18; 1Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Disse Jesus: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (Mt 19,6); então, por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel. A doutrina da indissolubilidade foi e é sempre reafirmada pelos Concílio e pelas declarações pontifícias.

15-    Quem é o Papa para nós, católicos?
R: O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constituiu como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (LG 23). É o pastor de toda a Igreja. O Senhor Jesus confiou a Pedro todo o rebanho (cf. Jo 21,15-17).

16-    O católico pode aceitar a reencarnação?
R: A reencarnação é a teoria segundo a qual a alma, deixando o corpo após a morte, passaria para outro corpo. A Bíblia ensina que cada pessoa tem uma só existência sobre a terra e que, após essa vida, comparece diante de Deus para ser julgada. Diz a Carta aos Hebreus: “E como está determinado que os homens morram uma só vez, e depois vem o julgamento” (9,27).

17-    Qual é a doutrina da Igreja Católica sobre o purgatório?

R: O purgatório é a purificação final dos eleitos que morreram na graça e na amizade de Deus, mas que não alcançaram ainda, a santidade necessária para usufruir da alegria celestial. Alguns textos da Sagrada Escritura vêm reafirmar: 1Cor 3,13-15; 1Pd 1,7. Nunca podemos esquecer que Deus é rico em misericórdia, mas também o justo juiz.

18-    Quem fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?

R: A Igreja de Deus foi prefigurada desde a criação do mundo. Já no Antigo Testamento faz referência às alianças de Deus com o justo Abel, com Noé e Abraão. A Igreja foi fundada por Cristo, através da pregação do Evangelho, o envio dos discípulos em missão, sua paixão, morte e ressurreição e através do envio do Espírito Santificador sobre os apóstolos. O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, sobre a Igreja, fala de atos fundantes da Igreja, realizados pelo Senhor.

19-    Em que a Igreja Católica difere das demais Igrejas cristãs?

R: A verdadeira Igreja de Jesus Cristo subsiste na Igreja CATÓLICA. Esta possui todos os elementos de eclesialidade que encontramos no Novo Testamento: a mesma Fé, os sete Sacramentos, a sucessão ao Colégio Apostólico, a dimensão episcopal, a sucessão do Ministério Petrino exercido pelo papa, o ministério da palavra. Em nenhum outro lugar se encontra, como na Igreja Católica, a plenitude dos meios salvíficos queridos e estabelecidos por Cristo.

20-    O que vem a ser ecumenismo?

R: É a aproximação, cooperação entre os cristão, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os católicos, os ortodoxos, os anglicanos e os protestantes, crentes e evangélicos.

21-    Santificação do sábado ou do domingo?

R: A Bíblia ordena: “Lembra-te de santificar o dia de sábado” (Ex 20,8). Por que então os católicos guardam o domingo? Fatos relevantes da vida do Senhor Jesus e da Igreja primitiva aconteceram no domingo, como, por exemplo, a Ressurreição de Jesus e Pentecostes. A Igreja primitiva reunia-se no primeiro dia da semana (cf. At 20,7; 1Cor 16,2).

22-    A Bíblia é a única fonte de Fé?

R: Para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Existem também a Tradição apostólica e o Magistério da Igreja. Sempre coube ao Ministério da Igreja garantir a autenticidade dos Textos bíblicos e sua legítima interpretação.

23-    Por que os católicos honram a Eucaristia e lhe prestamos o culto máximo de adoração?
R: Pela Eucaristia, a Igreja continuamente vive e cresce. A Eucaristia é o memorial da morte e da ressurreição do Senhor, confiado à Igreja, pelo qual se perpetua pelos séculos, o sacrifício da Cruz. A Eucaristia é a presença real de nosso Senhor Jesus Cristo. É o ápice e fonte de todo culto e da vida cristã (cf. cânones 897-898; SC 47; LG 11 E po 5). “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor” (CIC 1418).

24-    O que diferencia a Bíblia dos católicos das outras Bíblias?

R: A Bíblia Católica contém todos os livros que formam o conjunto das Sagradas Escrituras. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Nas versões protestantes, faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 de Macabeus e partes dos livros de Ester e de Daniel. “A interpretação da Escritura está sujeita, em última instância, ao juízo da Igreja, que exerce o divino mandato de guardar a Palavra de Deus” (DV 12,3).

25-    Quais os mandamentos da Igreja?
R: São cinco os preceitos da Igreja:
1-    participar da missa aos domingos e outras festas de guarda;
2-    confessar os próprios pecados, recebendo o sacramento da reconciliação pelo menos uma vez ao ano;
3-    receber o sacramento da Eucaristia pelo menos pela Páscoa;
4-    abster-se de comer carne e observar o jejum nos dias estabelecidos pela Igreja;
5-    atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades. (cf. CIC 2041-2048).