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Cartas Pastorais Tito e I e II Timóteo

Disponivel em slides
 
O título de “Pastoral” se deve ao fato de ser endereçada a um pastor de nome Tito, que naquela ocasião se encontrava na ilha de Creta e devia tomar sozinho algumas decisões referentes às comunidades cristãs daquela ilha.
As cartas trazem problemas e situações que também nós enfrentamos hoje: organização e lideranças, conflitos etc. Não são normas a serem seguidas em todos os tempos e lugares.
Trata de pistas que poderão iluminar nossa caminhada hoje.
 
 Quem foi Tito?
• Pagão e companheiro de Paulo na viagem para Jerusalém; por ocasião daquele evento que ficou conhecido como “Concílio de Jerusalém.
• Paulo não permitiu que Tito fosse circuncidado, Gl 2,3; mostrando dessa forma que os pagãos convertidos não precisam, para ser cristãs, se tornar judeus, inclusive na cultura, tradições e costumes.
•A não circuncisão para Paulo, sinal da “liberdade que temos em Jesus Cristo” Gl 2,4.
 
Paulo confia a Tito uma missão delicada após a terceira viagem:
 
• Conciliar os ânimos da comunidade de Corinto,  na qual a pessoa de Paulo fora contestada, acusada e rejeitada.
 
• Percebe-se que Tito tinha o dom de conciliar e de reconciliar, além de saber organizar as comunidades.
 
 Quem escreveu a carta de Tito
• Ela é considerada deuteropaulina, escrita por alguém ligado a Paulo, uma espécie de seu porta-voz.
 
Sua preocupação

• Organização hierárquica das comunidades, com seus epíscopos e presbíteros – palavras que significam “supervisores e anciãos”;
• Organização das comunidades;
 
Porque foi escrita a carta Em primeiro lugar: §Assuntos pendentes:  organização das comunidades: “eu o deixei em Creta para que você cuidasse de organizar o que ainda restava para fazer” (1,5a), adversários que tumultuavam-lhe  a vida e provocando partidas de emergência, ficavam portando muitas coisas a serem completadas (I Ts 3,10).
 
Em segundo lugar:

 
 É deixado na ilha de Creta a fim de nomear em cada cidade presbíteros das Igrejas: “...e para que nomeasse em cada cidade os presbíteros das igrejas, conforme as instruções que lhe deixei” (1,5b), preocupação com a hierarquia, com as lideranças que devem revestir certas características;
 
• Conflito com judeus, nascidos em Creta e convertidos ao cristianismo, e seu modo de ser, que desencaminha famílias inteiras, Tt (1,10-11) - Primeiro e maior conflito aberto; • Conflito de liderança e de poder/autoridade entre os adversários de Tito e o próprio Tito (Tt 2,7-8.15); • Percebe-se na carta uma ameaça de conflito com as comunidades civis, projetando as comunidades Cristãs de Creta para fora de si mesmas e em relação com  a sociedade como um todo (3,1-2).
 
 ENDEREÇO, SAUDAÇÃO,  ORGANIZAÇÃO E CONFLITOS (1,1-16)
 

Endereço e saudação (9,1-4)
• Apresenta com dois títulos importante: servo e apóstolo;
• Uma síntese da missão em toda a Bíblia;
• Continuador do serviço que os profetas prestaram a Javé, servindo o povo de Deus.
 
 aracterísticas mais importantes:
• A denúncia da violação do projeto de Deus, (Paulo se apresenta como servo de Deus a serviço do seu projeto para o bem do povo, (compare com os “cânticos do Servo de Javé” em Is 42,1-9; 49,1-9ª; 50,4-11; 52,13-53,12 e a missão desse mesmo servo, chamado a ser luz das nações).
 
• O segundo título importante é apóstolo, palavra que significa enviado. Se no primeiro título o autor da carta  estava a serviço de Javé e de seu projeto, aqui sente-se enviado por Jesus Cristo com um objetivo muito específico:
 
o de conduzir as pessoas “à fé e ao conhecimento daquela verdade que conduz à piedade e se fundamenta sobre a esperança da vida eterna”.
 
• Temos aqui duas das três virtudes que iniciam Várias cartas de Paulo: fé, amor, esperança.
• Fé - é a adesão ao projeto de Deus, Abandonando o que é fermento de uma sociedade velha e injusta para  construir na esperança algo totalmente novo, que  desemboca na vida eterna, coroa e meta da esperança cristã.
 
• Esperança prometida antes dos tempos Eternos  que fica difícil compreender à luz do AT, mas que brilhou fortemente na pessoa de Jesus Cristo,  na sua vida, morte e ressurreição,e seu brilho se prolonga no anúncio de Servo e apóstolo, tarefa que o Deus Salvador lhe confiou.
• O termo “Salvador” é muito importante na carta: ora em Deus (1,3;2,10;3,4); ora em Jesus Cristo (1,4;2,13;3,6). A coisa mais importante que eles tem para oferecer ao mundo é a salvação.
  
• Oferecimento de Paulo à comunidade: “graça e paz”

• Graça: recorda o carinho, a ternura, o afeto, a presença consoladora e amiga de Deus;
• Paz: é o resultado dessa presença amiga e carinhosa. Para o povo da Bíblia Shalom é vida transbordante e geradora de nova vida.
 
 Missão em Creta: organizar as comunidades (1,5-9)
 
• Em primeiro lugar: dar seqüência ao que faltava em termos de organização das comunidades.
• Em segundo lugar: sua tarefa era em nomear em cada cidade os presbíteros das Igrejas, conforme as instruções que recebeu.
• Uma das grandes preocupações das cartas era a de: “organizar hierarquicamente as comunidades, pondo à frente delas uma presbítero (ancião) nome da época.
 
 • No vers.7 fala-se de dirigente (em grego epíscopo) que hoje para nós “bispo”. Na realidade epíscopo significa supervisor e está longe de abraçar tudo que um bispo abraça nos dias de hoje.
• Epíscopo-dirigente é “administrador de Deus” e tem duas funções: organizar e ensinar.
 
• Ensinar subdividida em dois momentos:  Transmitir fielmente o que recebeu, a sã doutrina (expressão apreciada pelo autor da carta),  e corrigir as distorções dela.
 
O Conflito
• Primeiro: em Creta há “muitos rebeldes, faladores e enganadores”, com segundas intenções: com sua pregação pretendem enriquecer, fazendo da religião fonte de lucro (ITm 6,5) e explorando pessoas em nome de Deus.
• A expressão “tudo é puro para os puros e nada é  puro para os impuros e descrentes” (1,15a) segregava continuamente, impedindo as pessoas de ver o bom que pode existir no diferente e no novo (Cl 2,21), a carta dá uma sentença cruel contra essas pessoas: tem a mente e a consciência corrompidas.
 
 
 Três coisas são destacadas na prática de quem  orienta sua vida nessa direção:
• Ódio, desobediência (a Deus) e incapacidade de  praticar o bem; quem contempla o mundo nesta lei só vê ódio pois tudo é impureza de alto risco, tudo é mau.
 
• A desobediência a Deus: Deus criou o mundo bom e mandou que o ser humano, fizesse crescer e multiplicar o bem as coisas boas às quais deu início, como o homem vendo as coisas tudo más, se bloqueiam e não dão seqüência ao projeto de bondade de Deus.
• Incapacidade de fazer o bem: ex: um doente é impuro, será preciso evitá-lo para não se contaminar: com isso anula a prática do bem e na a construção de uma sociedade solidária e fraterna.
 
 2 -Orientações para um novo modo de viver (2,1-15)
 
 No cap. 2 tem dois momentos distintos:
• O primeiro oferece normas de como agir com os idosos, jovens e escravos (2,1-10);
• O segundo apresenta o porquê fazer isso: “o cristão abandonou impiedade para abraçar um novo modo de viver e de se relacionar com as pessoas, em vista da esperança futura, a manifestação da glória de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador (2,11-15).
O segundo momento ilumina o primeiro.
 
• A primeira é dirigida aos velhos, ou seja aos cristãos da terceira idade, que lhes pedem seis coisas: sobriedade, respeitabilidade, sensatez (código de ética do mundo grego); força na fé, no amor, na paciência ( qualidades cristãs);
• A segunda orientação é para as mulheres da terceira idade: sensata (não caluniadoras); autodomínio (não escravas da bebida); e nos frutos que essa sensatez produz: bons conselhos às mulheres recém-casadas. 
• Ponto positivo nesta carta é a valorização da terceira idade: eles que são fonte fecunda de experiências vitais e de exemplos capazes de traçar caminho para os mais novos.
• O terceiro grupo são os jovens: trata-se de pessoas adultas abaixo de 60 anos, se volta também pata Tito, o que lhes pede é que tenham boa conduta, sincero e sério no ensino, com linguagem conveniente e irrepreensível, de modo que a teoria não seja desmentida pela prática, como acontecia com os adversários que a carta critica (compare 2,8 com 1,16). 
• A carta se volta aos escravos dentro do Império  Romano, cerca de dois terços da população e eram espinhas dorçal da economia do império.
Seus deveres: a obediência como norma absoluta, pois ela afasta a teimosia  e a vingança, expressa o roubo. O ideal do escravo, segundo a carta, é o que obedece, é honesto e plenamente fiel.
 
 Esperança que gera novas relações (2,11-15)
 
A carta falou pouco sobre Deus e de Jesus Cristo. Preferiu abordar temas do cotidiano como a organização das comunidades, o retrato de seus dirigentes, conflitos enfrentados pela fé, o retrato da terceira idade, jovens e escravos. Entre outras palavras expôs um dos  temas muito caros a Paulo: “quando nos tornamos cristãos, abandonamos um estilo de vida e de relações marcado pelas injustiças, desigualdade, opressão, exploração, etc, para viver a novidade cristã. Ver o que Jesus diz em Mc 2,21; ex: Paulo.
 
A vida de Jesus, sua morte e ressurreição abriram para nós o caminho da esperança. Na carta, essa esperança é estrada que conduz à plena manifestação de Cristo na glória.
 

3- O mistério cristão, recomendações, instruções e saudações (3,1-15)
 
 Limita-se simplesmente a pedir que os Cristãos se submetam e obedeçam aos magistrados e autoridades, estando dispostos a colaborar para toda boa obra, no crescimento do bem comum.
 
Catequese Batismal (3,3-7)
Esses versículos formam uma das sínteses apresentadas na catequese dos que se preparavam para o batismo, porta de entrada para a vida cristã. Com uma presença de um passado marcado por relações de injustiça em  todos os campos: religioso, pessoal e social. A primeira lista de vícios apresentada contempla o campo religioso: (insensatos, desobedientes, extraviados) a seguir vem o campo pessoal: (escravos de todo o  tipo de paixões e prazeres); e, por fim, o social: (vivendo na perversidade aos outros).
 
O que representava o cristianismo para os primeiros  cristãos era o ingresso num universo onde todas as relações são novas e sempre renovadas, dessa forma uma sociedade alternativa e capaz de ser semente do Reino anunciado por Jesus. A entrada na comunidade cristã, mediante o tiro do batismos, representava o abandono de um modo de ser e de viver fundado em relações desiguais e discriminadoras.
 
 
Paulo enquanto fariseu, acreditava que a “justiça” do ser humano obrigava Deus a ser bom e a recompensar as pessoas. Era um Deus bom por causa da bondade dos homens, como se Deus tivesse que ir à escola dos fariseus para aprender a ser bom. Mas não foi assim. Deus manifestou sua bondade em de Jesus Cristo “quando ainda éramos pecadores” Rm 5,8
 
 Recomendações, instruções, saudações (3,8-15)
 
Caminhando para o fim, a carta ressalta mais uma vez que é preciso praticar o bem. Nesta pratica é a resposta que o cristão dá a Deus por seu amor gratuito e transbordante oferecido à humanidade. O pensamente se volta aos conflitos religiosos, e na qual é manifestada uma praticidade: evitar discussões inúteis e não perder tempo com os hereges. Depois de serem dadas duas chances não há mais nada que fazer.
 
Os deslocamentos constantes dos primeiros evangelizadores, e, sobretudo dos companheiros de Paulo, mostram que o cristianismo primitivo era muito dinâmico e a mobilidade de seus anunciadores era uma característica importante.
 
 
Para pensar:
A fé cria laços mais fortes que os de sangue? Comentar exemplos.
Há conflitos em nossas comunidades? De que tipo?
O que acontece quando a religião se torna um meio nas mãos de pregadores gananciosos?
Uma pessoa de idade, apesar de não ser economicamente ativa, é muito útil à sociedade? Comentar com exemplos.
Qual é a esperança que anima os passos da comunidade?
A carta aconselha a não perder tempo discutindo com os hereges. O que achamos dessa orientação?